“Recentemente,
na maior parte do mundo, as formas de produzir e distribuir alimentos vêm se modificando
de forma desfavorável para a distribuição social das riquezas, a autonomia dos
agricultores, a geração de oportunidades de trabalho e renda, a proteção dos recursos
naturais e a biodiversidade e a produção de alimentos seguros e saudáveis.
Estão
perdendo força sistemas alimentares centrados na agricultura familiar, em
técnicas tradicionais e eficazes de cultivo e manejo do solo, no uso intenso de
mão de obra, no cultivo consorciado de vários alimentos combinado à criação de
animais, no processamento mínimo dos alimentos realizado pelos próprios
agricultores ou por indústrias locais e em uma rede de distribuição de grande capilaridade
integrada por mercados, feiras e pequenos comerciantes.”
O
trecho acima, pertencente ao novo Guia Alimentar da População Brasileira,
reafirma a tendência mundial de produção de alimentos cada vez mais
industrializados, processados e distantes da agricultura familiar. Dessa forma,
há uma maior dificuldade de obtenção de alimentos in natura (obtidos
diretamente de plantas ou de animais e adquiridos para o consumo sem que tenham
sofrido qualquer alteração após deixarem a natureza) e minimamente processados
(com alterações mínimas do seu estado natural), que atualmente são recomendados
como a base de uma alimentação saudável.
No
caso das crianças, esse fato é ainda mais preocupante, principalmente entre grupos
vulneráveis da população, como indígenas, quilombolas e crianças que vivem em
áreas vulneráveis, pois nessas áreas as deficiências de micronutrientes e
desnutrição crônica ainda são alarmantes e há a dificuldade do acesso a
alimentos saudáveis.
Nesse
contexto, surge a importância do Programa de Aquisição de Alimentos. Ele gera o
acesso à alimentação e incentiva a agricultura familiar, por meio da compra de alimentos produzidos
pela agricultura familiar, com dispensa de
licitação. O Programa, então, destina esses
alimentos às pessoas em situação de
insegurança alimentar e nutricional e àquelas atendidas
pela rede socioassistencial, pelos
equipamentos públicos de segurança
alimentar e nutricional e pela rede pública
e filantrópica de ensino.
Desse
modo, ele promove o abastecimento alimentar com a compra de alimentos, incentiva hábitos alimentares
saudáveis, valoriza a biodiversidade
e a produção orgânica e ecológica de alimentos, fortalece redes de
comercialização locais e regionais e estimula a cooperação e associação dos
agricultores locais. Assim, há uma contribuição significativa para a redução da
desnutrição infantil, já que as crianças passam a ter acesso a uma alimentação
de qualidade, com alimentos in natura e minimamente processados e há uma garantia
de renda para as famílias que praticam a agricultura familiar.
Fontes: http://www.mds.gov.br/segurancaalimentar/aquisicao-e-comercializacao-da-agricultura-familiar
Novo Guia Alimentar da População Brasileira