segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Novos parâmetros de nutrição e a importância do Programa de Aquisição de Alimentos




  

“Recentemente, na maior parte do mundo, as formas de produzir e distribuir alimentos vêm se modificando de forma desfavorável para a distribuição social das riquezas, a autonomia dos agricultores, a geração de oportunidades de trabalho e renda, a proteção dos recursos naturais e a biodiversidade e a produção de alimentos seguros e saudáveis.
Estão perdendo força sistemas alimentares centrados na agricultura familiar, em técnicas tradicionais e eficazes de cultivo e manejo do solo, no uso intenso de mão de obra, no cultivo consorciado de vários alimentos combinado à criação de animais, no processamento mínimo dos alimentos realizado pelos próprios agricultores ou por indústrias locais e em uma rede de distribuição de grande capilaridade integrada por mercados, feiras e pequenos comerciantes.”

O trecho acima, pertencente ao novo Guia Alimentar da População Brasileira, reafirma a tendência mundial de produção de alimentos cada vez mais industrializados, processados e distantes da agricultura familiar. Dessa forma, há uma maior dificuldade de obtenção de alimentos in natura (obtidos diretamente de plantas ou de animais e adquiridos para o consumo sem que tenham sofrido qualquer alteração após deixarem a natureza) e minimamente processados (com alterações mínimas do seu estado natural), que atualmente são recomendados como a base de uma alimentação saudável.
No caso das crianças, esse fato é ainda mais preocupante, principalmente entre grupos vulneráveis da população, como indígenas, quilombolas e crianças que vivem em áreas vulneráveis, pois nessas áreas as deficiências de micronutrientes e desnutrição crônica ainda são alarmantes e há a dificuldade do acesso a alimentos saudáveis.





Nesse contexto, surge a importância do Programa de Aquisição de Alimentos. Ele gera o acesso à alimentação e incentiva a agricultura familiar, por meio da compra de alimentos produzidos pela agricultura familiar, com dispensa de licitação. O Programa, então, destina esses alimentos às pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional e àquelas atendidas pela rede socioassistencial, pelos equipamentos públicos de segurança alimentar e nutricional e pela rede pública e filantrópica de ensino.
Desse modo, ele promove o abastecimento alimentar com a compra de alimentos, incentiva hábitos alimentares saudáveis, valoriza a biodiversidade e a produção orgânica e ecológica de alimentos, fortalece redes de comercialização locais e regionais e estimula a cooperação e associação dos agricultores locais. Assim, há uma contribuição significativa para a redução da desnutrição infantil, já que as crianças passam a ter acesso a uma alimentação de qualidade, com alimentos in natura e minimamente processados e há uma garantia de renda para as famílias que praticam a agricultura familiar.

Fontes: http://www.mds.gov.br/segurancaalimentar/aquisicao-e-comercializacao-da-agricultura-familiar
             Novo Guia Alimentar da População Brasileira

sábado, 15 de novembro de 2014

Desnutrição infantil e a multimistura



Hoje no blog iremos abordar um pouco mais sobre os sintomas e o diagnóstico da desnutrição infantil, e sobre o uso da multimistura no combate à tal doença.
“Sintomas da desnutrição - É compreensível que o sinal mais comum de desnutrição seja a perda de peso. Esse fator pode também ser acompanhado pela falta de força e energia e a incapacidade de realizar tarefas rotineiras. Pessoas desnutridas desenvolvem anemia com frequência e, por isso, sentem falta de ar e de energia. Em crianças, sinais de desnutrição podem envolver a incapacidade de concentração, o aumento da irritabilidade e o crescimento atrofiado. Em casos de desnutrição aguda grave, podem ocorrer inchaços do estômago, da face e das pernas, além de mudança na pigmentação da pele.
Diagnosticando a desnutrição - A desnutrição é diagnosticada quando comparados o peso e a altura padrão de uma dada população ou pela medição da circunferência da parte superior do braço de uma criança por um bracelete, chamado MUAC. Se as deficiências da dieta persistirem, as crianças param de crescer e tornam-se atrofiadas, o que faz com que tenham baixa estatura para suas idades. Isso é diagnosticado como desnutrição crônica. Se ocorrer perda de peso ou ‘emaciação’ – baixo peso para determinada altura –, eles são diagnosticados com desnutrição grave. Isso acontece quando uma pessoa desnutrida começa a consumir seus próprios tecidos corporais para obter os nutrientes de que necessita. Na forma aguda e grave da desnutrição, crianças com kwashiorkor – estômago distendido – podem ser clinicamente diagnosticadas com inchaço corporal, irritabilidade e mudanças na pigmentação da pele.”
A multimistura (composta por 70% de farelos de arroz ou trigo, 15% de pó de folhas de mandioca, 15% de pó de sementes e casca de ovo em pó) foi criada pela pediatra e nutróloga Clara Terko Takaki Brandão quando se mudou para o Pará, na década de 70. Ela verificou um grau alto de desnutrição das crianças no local, com diarreia, hipovitaminose A e anemia, e haviam dificuldades financeiras para melhorar a alimentação das crianças. Um dia, ao visitar uma plantação, notou que havia um pó junto das plantas. O agricultor explicou que era farelo de arroz, que não era usado na alimentação, mas ajudava a planta a crescer.
Verificando na tabela de alimentos, Clara percebeu que havia ali uma potencial fonte de minerais. Começou a usar nas refeições da creche e houve diminuição dos casos de diarreia. Então, somou outros farelos e folhas, ricos em nutrientes, até formar uma mistura. A recuperação das crianças chamou a atenção da Pastoral da Criança, que ajudou a espalhar pelo Brasil. 
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Alguns especialistas afirmam que o uso diário da multimistura (uma colher de sopa), acrescentada às refeições, ajuda a prevenir doenças coronarianas, cálculo renal e diabetes, atua como calmante natural e reduz as cáries, melhora o humor e a concentração.
Contudo, tal receita recentemente deixou de ter seu uso incentivado pela Pastoral da Criança, além de não ser mais recomendada pelo Ministério da Saúde, pela Sociedade Brasileira de Pediatria e pelo Conselho Federal de Nutricionistas. Há a afirmação de que existe o perigo da falta de higiene na fabricação, além da presença da folha da mandioca, que se não for tratada corretamente leva consigo ácido cianídrico (extremamente tóxico), e do fitato existente nos farelos, que prejudicaria a absorção de ferro, zinco e cálcio.
Assim, é necessário que haja um estudo realmente aprofundado sobre tal mistura, de modo a verificar se possui eficácia, quais ingredientes devem ser utilizados e em que quantidade deve ser consumida por dia. Se for confirmada sua importância, a multimistura irá se constituir como um barato e importante aliado na redução da desnutrição infantil no país.
Fontes: http://www.extraclasse.org.br/edicoes/2011/04/multimistura-nutritiva-e-polemica/
http://www.pastoraldacrianca.org.br/pt/component/content/article/101-noticias/244-alimentacao-enriquecida-alguns-cuidados-importantes
http://www.istoe.com.br/reportagens/2931_A+VITORIA+DOS+ENLATADOS
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572007000500013
http://www.plugbr.net/receita-multimistura-controle-de-desnutricao-e-auxilia-formacao-de-plaquetas/
http://www.msf.org.br/o-que-fazemos/atividades-medica/desnutricao?gclid=Cj0KEQiAkJyjBRClorTki_7Zx8QBEiQAcqwGMbX6l6GD9CCMWzMZKSg7NUAnk9lIEIE6pdpqZpSrzEkaAhDc8P8HAQ